Ondas de calor, temporais intensos, períodos de estiagem e mudanças na circulação de doenças. Os efeitos dos eventos climáticos extremos vão além das condições do tempo e podem impactar diretamente a saúde e a rotina da população.
Atenta a esse cenário, Jundiaí vem fortalecendo um conjunto de ações preventivas para preparar os serviços públicos, antecipar riscos e proteger os moradores diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño.
O trabalho envolve diferentes secretarias municipais, por meio do Grupo Técnico (GT) de Governança Climática, e conta com um planejamento específico da Secretaria de Promoção da Saúde, que mobiliza suas diferentes áreas de atuação, cada uma com responsabilidades definidas nas estratégias de prevenção e resposta.

Além da participação no GT, as equipes da Saúde realizam reuniões periódicas para acompanhar os cenários, avaliar vulnerabilidades e alinhar as ações.
A preparação considera a possibilidade de temperaturas acima da média, ondas de calor, baixa umidade do ar e temporais severos, com riscos de alagamentos e deslizamentos. Essas condições podem favorecer o aumento de arboviroses, como a dengue, de doenças associadas ao contato com águas contaminadas, como a leptospirose e a hepatite A, além de agravar problemas respiratórios e quadros de desidratação.
“Estamos trabalhando para preparar o município e nossos serviços de saúde para os desafios impostos pelos eventos climáticos extremos. Nosso foco é antecipar cenários, organizar a resposta e atuar de forma integrada com as demais áreas de Jundiaí, para proteger a saúde da população e reduzir os impactos desses eventos, incluindo aqueles mais vulneráveis, como idosos e crianças”, destaca a diretora de Vigilância em Saúde, Vanessa Giovanni.

Uma das frentes de atuação está no conhecimento das particularidades de cada região da cidade para monitorar o possível aumento das arboviroses. A VISAM já conta com um mapeamento das áreas de maior risco para a dengue, fruto de um trabalho de vigilância realizado durante o ano todo, enquanto as UBSs e Clínicas da Família contribuíram com levantamentos sobre as condições e necessidades de seus respectivos territórios.
Esse olhar também considera quem são as pessoas que vivem em cada localidade. Idosos, gestantes, pacientes acamados, pessoas em cuidados paliativos e moradores que dependem de atendimento domiciliar estão entre os públicos considerados no planejamento, permitindo que as equipes organizem estratégias de acompanhamento conforme as necessidades identificadas.
Para eventuais interrupções no fornecimento de energia elétrica, que podem comprometer o funcionamento de equipamentos, sistemas e a conservação de vacinas e outros insumos refrigerados, a Vigilância Epidemiológica, em articulação com a Atenção Básica, coordenou a elaboração de medidas de contingência para a rede municipal de saúde. Entre elas está a disponibilização de uma equipe de prontidão para realizar, quando necessário, o transporte de materiais sensíveis à temperatura para outras unidades ou pontos de apoio adequados.
O planejamento também contempla a possibilidade de aquisições emergenciais de insumos, conforme as necessidades identificadas, além da capacitação e atualização dos profissionais da linha de frente. A proposta é ampliar o olhar das equipes para os efeitos das condições climáticas sobre a saúde, favorecendo a identificação de riscos e a adoção das condutas adequadas em cada situação.
Compromisso que vem de antes
A preparação de Jundiaí para os desafios climáticos não começou agora. No início do ano, o município foi selecionado para integrar a plataforma AdaptaCidades, disponibilizada por meio da Rede de Desenvolvimento Urbano Sustentável (ReDUS), em reconhecimento às iniciativas voltadas ao planejamento e à adaptação climática.
O trabalho de governança e o compromisso com a sustentabilidade estão entre os diferenciais de Jundiaí, que alcançou 41 metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e obteve 62,16 pontos no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC), liderando o ranking entre os municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes.
Na área da Saúde, a troca de experiências também faz parte dessa construção. Nos últimos meses, representantes da Secretaria participaram de congressos e encontros nacionais para compartilhar práticas e conhecer estratégias adotadas por outros municípios diante dos desafios relacionados às mudanças climáticas.
